Na França, quando você adquire um produto no supermercado, no final saberá quanto de imposto foi pago. Este é um sinal de respeito com o cidadão que pode perceber, logo de cara, quanto sai de seu bolso, ali na boca do caixa. É um instrumento de cidadania, pois permite que o contribuinte tenha informação objetiva sobre os recursos que serão destinados ao Poder Público, sempre que adquirir qualquer tipo de mercadoria ou contrata serviços.No caso da imagem o valor da compra foi de 49,08€ e o imposto de 5,18.O processo fiscal fica mais transparente . É certo, porém, que este demonstrativo é facilitado pelo imposto com alíquota única o TVA/IVA que é o Imposto sobre o valor agregado, que unifica vários impostos num só. No caso brasileiro existe uma guerra fiscal entre estados, impostos em cascata e quem sofre mais com isso é a camada mais carente da população que é quem mais paga imposto proporcionalmente, ao contrário da crença generalizada, quase que tatuada em boa parte da classe média. “Eu pago impostos, sou um cidadão de bem”, quantas vezes eu ouvi a frase? Perdi a conta. Essa sensação “classemedista” é reforçada pelo imposto de renda na fonte e a declaração obrigatória no final do período fiscal.
Na verdade todos pagamos impostos direta ou indiretamente. Um pacote de feijão custa a mesma coisa e tem a mesma carga tributária para um favelado ou banqueiro. O Brasil adotou um sistema que concentra a cobrança dos tributos no consumo, principalmente nas famílias de menor renda. Isso é injusto e vai na contramão do que os países europeus hoje praticam.
Adoraria ver o imposto discriminado no Brasil. Porque não ocorre? O governo não quer proporcionar esta clareza, porque seria ele o mais cobrado pela destinação dos recursos. É uma transparência que realmente não interessa nem ao Governo e nem aos extremamente abastados do país, que possuem meios de burlar o fisco com os mais variados artifícios, oficiais e fraudulentos, desde isenções fiscais vergonhosamente permitidas pelo Governo, até maquiagem de balanços e fraudes em renúncias fiscais (como ocorre aos borbotões na Lei Rouanet). Como disse karl Marx "O Estado é o comitê da burguesia".
Ah, mas a nossa classe média não percebe isso. São devoradores de revista Veja e, portanto, não tem acesso às informações importantes, assuntos realmente pertinentes, aqueles que constroem uma Nação. Estão embriagados por casos de corrupção, factóides e CPIs, que trancam pautas importantes no congresso. Além disso, deixam-se levar pelo sensacionalismo, como o recente caso da criança que foi supostamente jogada de um apartamento. Ficam ligados no Datena e o seu helicóptero farejador de desgraça. Em Salvador fui surpreendido, pois até lá, a 700 km de distância, assistem ao programa! O que buscavam ali? Informação sobre sua cidade ou diversão mórbida? Acho que estão realmente loucos.
Sempre que um assunto está a beira de ser discutido, quase toda a mídia é mobilizada para outros assuntos. Cai um avião e, pronto, lá se vai a reforma tributária.
Como a classe média tem sofrido muito durante os últimos, pelo menos, trinta anos o seu discurso tomou a forma de ofensa em relação aos mais pobres, de quem estranhamente estão mais próximos. Odeiam o bolsa-família, talvez a única coisa boa do governo Lula. Experimente perguntar para um dos detratores qual é o valor da ajuda e quanto isso representa de gasto para o governo. Experimente também perguntar quanto o governo gasta com juros da divida interna. Eles se voltam contra quem está à margem da sociedade e se afeiçoam ao modo de vida dos mais abastados, emulando trejeitos e, até, preconceitos.
Este comportamento é incentivado pela grande imprensa, que tem total interesse nesta situação. Como se processa o incentivo da mídia? Não informando, simples assim.É melhor ter este clima de loucura. Experimente abrir as revistas semanais e me digam qual é o anúncio da terceira página. Será de banco ou carro, sempre, ou quase sempre. A indústria de carros hoje lucra mais com financiamentos dos seus bancos do que com o produto carro. Todas as montadoras hoje têm banco ( Banco Fiat, Banco Volkswagen , Banco Gm, etc). Quem crê que estas publicações não estão comprometidas com este estado de coisas no Brasil?No fundo o Governo Lula foi tudo que a "Veja" pediu a Deus.
É o óbvio, mas que muitos se recusam a ver. Assisti por esses dias, ao filme “Árido Movie” e, em uma dada cena, o personagem de José Dumond diz algo como não reconhecer algo que sempre esteve lá e que não conseguimos enxergar. É isso, muitos não enxergam a pedra do cachorro e a do elefante.
Aqui o vídeo da cena.
Tags: Imposto discriminado, Pedra do Cachorro, Árido Movie, Omar Monteiro Mendes

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